Pular para o conteúdo principal

Homens vivem 7 anos a menos que mulheres — e a ciência sabe por quê

Homens vivem 7 anos a menos que mulheres — e a ciência sabe por quê

Expectativa de vida masculina no Brasil é menor que a feminina. Entenda as causas e como mudar esse cenário
Durante o processo de envelhecimento, homens se cuidam menos (Design e ilustrações: Laura Luduvig/Veja Saúde)

Você sabia que, no Brasil, os homens vivem, em média, 7,6 anos menos que as mulheres?

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida masculina é de 72,2 anos, contra 79,8 anos para as mulheres. É uma diferença expressiva, e que merece reflexão.

Muitos brincam dizendo que “as mulheres são mais evoluídas”, mas, sem negar seus méritos, a ciência aponta causas bem concretas para essa disparidade.

Genética x hábitos

As mulheres possuem dois cromossomos X, o que oferece proteção extra contra diversas doenças, incluindo problemas cardiovasculares como o infarto. Já os homens, com apenas um cromossomo X, ficam mais vulneráveis a esses riscos.

Além disso, historicamente, homens fumam e consomem álcool com mais frequência que as mulheres. Embora essa diferença esteja diminuindo entre as novas gerações, ela ainda impacta negativamente a saúde masculina.

Além disso, dados do Ministério da Saúde mostram que causas externas como acidentes, homicídios e suicídios respondem por 75% das mortes entre homens de 20 a 29 anos.

Prevenção é um diferencial feminino

As mulheres tendem a adotar hábitos de vida mais saudáveis, cuidar mais da alimentação e praticar mais atividade física. Mas o diferencial mais marcante é a prevenção:

Apenas 31% dos homens procuraram atendimento médico no último ano, contra 75% das mulheres (IBGE);
Consultas preventivas são muito mais comuns entre elas: ginecologistas recebem seis vezes mais visitas de mulheres do que urologistas de homens;
Entre adolescentes, o acesso ao SUS foi 150% maior para meninas do que para meninos em 2020.

Doenças crônicas pesam nas estatísticas
Hipertensão, diabetes e obesidade também pesam nas estatísticas. A obesidade afeta 23% dos homens e o sobrepeso atinge 59% deles, contra 53% das mulheres. Essas condições aumentam o risco de doenças cardiovasculares, uma das principais causas de morte no país.

No caso do câncer de próstata, o segundo mais comum entre homens, o INCA estima 72 mil novos casos para 2025, mas a taxa de rastreamento preventivo ainda é baixa.

Um convite à mudança

Agora que você conhece os dados, que tal agir para mudar essa história?

Pratique exercícios físicos regularmente, tenha uma alimentação equilibrada, modere o consumo de álcool, abandone o cigarro e, principalmente, faça consultas médicas preventivas.

Cuidar da saúde não deve ser uma reação a uma doença já instalada, mas um compromisso contínuo com a vida. A saúde é um bem de todos. Vamos trabalhar para que ela seja também um bem igualmente duradouro.

* Antônio Carlos Madeira, médico do Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês

Publicado originalmente em https://saude.abril.com.br/coluna/com-a-palavra/homens-vivem-menos-mulheres/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer?

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer? O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt A passagem do tempo é inevitável, o crescimento imperativo e com ele as pessoas à nossa volta começam a desaparecer. Este é o mote para uma reflexão profunda sobre acontecimentos pelos quais já passamos, ou indubitavelmente iremos passar. A perda de pessoas significativas é das experiências com maior dificuldade adaptativa. Esta experiência universal, embora natural, traz consigo dor, medo e muitas vezes um profundo sentimento de vazio. A consciência da mortalidade não é igual para todos. As atitudes perante a morte variam entre a aceitação neutral, aceitação como escape, aceitação como aproximação, o medo e o evitamento. Estando os diferentes tipos de aceitação associados a atitudes mais po...

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição Para o epidemiologista Carlos Monteiro, que criou o conceito de ultraprocessados, é preciso retomar o valor que a comida tem dentro da nossa cultura; leia a entrevista Quando você precisa colocar combustível no carro, é natural dar prioridade àquele posto de gasolina menos movimentado – afinal, ninguém ganha nada aguardando na fila. Essa é uma otimização da rotina que faz completo sentido, na visão do médico epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor emérito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Acontece que, segundo ele, temos tratado a preparação e o consumo dos alimentos do mesmo jeito que lidamos com o abastecimento de um veículo, isto é, como um completo desperdício de tempo. “Mas é o oposto. Na verdade, é um ganho de vida, de saúde”, defende o pesquisador. Entrevista com Carlos Monteiro médico epidemiologista e coordenador emérito do...