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O novo mistério da longevidade: o que a Finlândia revela sobre viver mais

O novo mistério da longevidade: o que a Finlândia revela sobre viver mais

Quando pensamos em longevidade, logo vêm à mente as famosas Zonas Azuis, como Okinawa no Japão, Icária na Grécia ou Ogliastra na Itália — locais onde as pessoas vivem mais graças a hábitos saudáveis, vida social ativa e senso de propósito. Agora, um novo estudo lança luz sobre o caso da Finlândia, sugerindo que viver mais pode ter causas bem diferentes do que se imaginava.

As lições das Zonas Azuis

Essas regiões do mundo se tornaram conhecidas porque concentram um número elevado de pessoas que ultrapassam os 90 e 100 anos. Em comum, seguem rotinas de alimentação equilibrada, mantêm-se fisicamente ativas, cultivam relações comunitárias fortes e carregam uma visão otimista da vida.

O estudo publicado no Journal of Aging Research buscou verificar até que ponto esses mesmos princípios se aplicam a quatro regiões do oeste da Finlândia: Ostrobótnia sueco-falante, Ostrobótnia finlandês-falante, Åland e sul de Ostrobótnia. A ideia era avaliar se o estilo de vida realmente explicava os altos índices de longevidade observados ali.

O caso curioso de Åland

A análise de dados gerontológicos de 2021 e 2022 trouxe uma surpresa. Enquanto Ostrobótnia de língua sueca mostrou forte aderência ao estilo de vida das Zonas Azuis, foi em Åland que os pesquisadores encontraram a população mais longeva e saudável, mesmo sem cumprir todos os princípios.

Åland apresentou o maior índice de bem-estar ambiental e a menor taxa de doenças, mas sem corresponder plenamente às práticas típicas de dieta e rotina das Zonas Azuis. Isso sugere que outros fatores — como políticas públicas, qualidade do ar ou questões culturais — podem desempenhar um papel decisivo.

Já o sul de Ostrobótnia e a própria Ostrobótnia sueco-falante, embora seguissem os hábitos clássicos de longevidade, registraram as piores expectativas de vida entre as áreas pesquisadas. Ostrobótnia finlandês-falante, por sua vez, foi a que menos aplicou os princípios e também não apresentou bons resultados.

Mais perguntas do que respostas

Os autores, liderados por Sarah Åkerman, da Universidade Åbo Akademi, reconhecem que ainda não é possível determinar exatamente por que Åland e Ostrobótnia sueco-falante apresentam dados tão distintos. Para eles, a relação entre saúde, estilo de vida e longevidade é mais complexa e variável do que o modelo tradicional sugere.

A equipe destaca que a longevidade pode ser explicada por fatores políticos, sociais, culturais e econômicos, além dos hábitos individuais. Isso levanta a necessidade de ampliar os estudos demográficos na região para compreender melhor o impacto das condições locais.

Viver mais não significa viver melhor

Outro ponto ressaltado pelos pesquisadores é que longevidade não é sinônimo de saúde plena. Casos isolados de pessoas que atingem idades avançadas mesmo com hábitos pouco saudáveis mostram que a genética e outros fatores inesperados também influenciam.

No entanto, o objetivo atual não é apenas viver muitos anos, mas envelhecer com qualidade de vida. A nova busca está em combinar expectativa de vida com saúde física e mental em idade avançada — um verdadeiro “santo graal” da longevidade moderna.

Uma nova pista para o futuro

O estudo finlandês não nega a importância das lições das Zonas Azuis, mas alerta que elas podem não explicar toda a equação da longevidade. O que emerge é um quadro multifatorial, onde ambiente, cultura e políticas públicas podem ser tão importantes quanto dieta e exercícios.

O enigma de Åland e de Ostrobótnia, por ora, abre caminho para novas pesquisas — e talvez para novas formas de pensar o que realmente nos faz viver mais e melhor. 


Publicado originalmente em https://www.gizmodo.com.br/o-novo-misterio-da-longevidade-o-que-a-finlandia-revela-sobre-viver-mais-26209

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