Pular para o conteúdo principal

Qual o segredo da longevidade? Especialista destaca importância de manter-se ativo

 Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno recebeu programação alusiva ao Mês da Pessoa Idosa

A frase “a pessoa idosa pode estar onde ela quiser” marcou a abertura de mais uma atividade do Mês da Pessoa Idosa em Novo Hamburgo, que segue celebrando a vitalidade e o protagonismo da melhor idade.

Na segunda-feira (6), no Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno ocorreu apresentações culturais e de uma palestra com o geriatra Leandro Minozzo, que falou sobre os segredos de um envelhecimento saudável e ativo.

Apresentação do coro do bairro Santo Affonso | abc+
Apresentação do coro do bairro Santo Affonso Foto: Geison Concencia/GES-Especial

O evento contou com a presença de dezenas de participantes, familiares e profissionais da saúde. O público acompanhou apresentações de coro e, sobretudo, as reflexões de Minozzo sobre como o envelhecimento pode ser vivido de maneira plena.

“Não devemos colocar uma data de validade para a vida. É preciso manter a vontade de viver novas experiências”, disse o especialista, incentivando não apenas os idosos, mas também os mais jovens a planejarem o próprio envelhecimento.

A importância do investimento na “poupança da longevidade”

Geriatra Leandro Minozzo | abc+

Minozzo destacou que cuidar do corpo e da mente não deve começar apenas na velhice. “Não é só a parte cognitiva que exige uma poupança para envelhecer. Também é uma poupança da capacidade de se locomover, de manter a vitalidade do corpo e até do psicológico”, explicou.

Para Minozzo, preservar a musculatura é essencial. “Se eu não cuidar dos meus músculos, não vou envelhecer bem. É importantíssimo investir neles, porque a vitalidade do corpo é um dos pilares para um envelhecimento saudável”, alertou.

Além da saúde física, ele ressaltou a importância de cultivar o chamado “capital psicológico”, ou seja, a capacidade de lidar com desafios, manter a mente ativa e preservar vínculos sociais. “A vitalidade não é só do corpo. A mente precisa estar em movimento, conectada à vida, ao convívio com outras pessoas. Isso previne doenças como depressão e Alzheimer, que são grandes barreiras para a longevidade”, frisou.

Mudança de mentalidade sobre a velhice

O geriatra fez uma análise sobre como as diferentes gerações enxergam o envelhecimento. Segundo ele, muitos idosos de hoje não foram preparados para se manterem ativos após a aposentadoria. “A geração de vocês não foi preparada para envelhecer bem. Muitos foram levados a acreditar que, ao se aposentar, poderiam simplesmente parar, ficar em casa. Mas vemos que isso não funciona para a saúde”, disse.

Minozzo comparou com países como o Japão, onde a população idosa costuma manter rotinas produtivas e participação na sociedade. “Lá, as pessoas continuam acreditando que são úteis, que devem viver em comunidade e se movimentar. Isso é um dos grandes segredos da longevidade nos países que estudamos”, afirmou.

O médico reforçou que o segredo da longevidade está na soma de hábitos saudáveis, como manter o corpo em movimento, cultivar relações sociais, preservar a mente ativa e buscar constantemente novas experiências. “Envelhecer bem é um projeto de vida que deve começar cedo, para que cada um construa sua poupança física, mental e emocional”, concluiu.

Espetáculo de dança mostra quebra de barreiras

Com 63, Aurea Feijó – uma das colaboradoras e organizadoras do Instituto Arlindo Ruggeri -, fez uma apresentação de dança alusiva a conscientização sobre a melhor idade. O espetáculo de dança, apresentado por Aurea, mostrou que a idade não restringe as pessoas de realizarem um espetáculo de dança ou qualquer outra atividade. “Hoje, vivemos essas possibilidades de sermos quem a gente quer ser”, destaca Aurea.

Publicado originalmente em https://www.abcmais.com/brasil/rio-grande-do-sul/vale-do-rio-dos-sinos/novo-hamburgo/qual-o-segredo-da-longevidade-especialista-destaca-importancia-de-manter-se-ativo/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer?

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer? O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt A passagem do tempo é inevitável, o crescimento imperativo e com ele as pessoas à nossa volta começam a desaparecer. Este é o mote para uma reflexão profunda sobre acontecimentos pelos quais já passamos, ou indubitavelmente iremos passar. A perda de pessoas significativas é das experiências com maior dificuldade adaptativa. Esta experiência universal, embora natural, traz consigo dor, medo e muitas vezes um profundo sentimento de vazio. A consciência da mortalidade não é igual para todos. As atitudes perante a morte variam entre a aceitação neutral, aceitação como escape, aceitação como aproximação, o medo e o evitamento. Estando os diferentes tipos de aceitação associados a atitudes mais po...

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição Para o epidemiologista Carlos Monteiro, que criou o conceito de ultraprocessados, é preciso retomar o valor que a comida tem dentro da nossa cultura; leia a entrevista Quando você precisa colocar combustível no carro, é natural dar prioridade àquele posto de gasolina menos movimentado – afinal, ninguém ganha nada aguardando na fila. Essa é uma otimização da rotina que faz completo sentido, na visão do médico epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor emérito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Acontece que, segundo ele, temos tratado a preparação e o consumo dos alimentos do mesmo jeito que lidamos com o abastecimento de um veículo, isto é, como um completo desperdício de tempo. “Mas é o oposto. Na verdade, é um ganho de vida, de saúde”, defende o pesquisador. Entrevista com Carlos Monteiro médico epidemiologista e coordenador emérito do...