Pular para o conteúdo principal

Apenas 11% dos brasileiros cuidam da saúde em preparação para envelhecimento

 

Apenas 11% dos brasileiros cuidam da saúde em preparação para envelhecimento

A caminhada é a prática mais popular, com 66% de adesão, segundo a pesquisa - Envato
A caminhada é a prática mais popular, com 66% de adesão, segundo a pesquisa

São Paulo, 09/11/2025 - Musculação, corrida e uma boa alimentação são meios para alcançar diferentes objetivos, como o emagrecimento e a melhora estética. Contudo, pouco se fala sobre o uso dessas práticas para um bom envelhecimento. Um estudo feito pelo Instituto Locomotiva, encomendado pela farmacêutica Apsen, constatou que apenas 11% dos brasileiros cuidam da saúde pensando nessa fase da vida.

O principal objetivo apontado pela pesquisa é a melhora na saúde em geral, além do aprimoramento do bem-estar, com 36% e 25% de priorização, respectivamente. Na prática, muitos buscam melhorar suas condições de saúde, mas não encaram o envelhecimento como uma meta primordial ao realizar atividades físicas, melhorar a alimentação, entre outros cuidados.

O levantamento, que ouviu homens e mulheres com idades entre 18 e mais de 50 anos, de todas as regiões do país, aponta, porém, que, apesar de ainda serem valorizados, os aspectos de beleza e estética vêm deixando de ser prioridade entre os brasileiros. A pesquisa indica que, entre as classes A e B principalmente, apenas 7% focam nesses objetivos enquanto buscam melhoria na saúde.

Apesar dos números, entre os mais jovens, a busca pela estética ainda se sobressai quando comparada à preocupação com o envelhecimento. É o que afirma a pós-doutora em nutrição pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Maria Fernanda Naufel. “É só mesmo na terceira idade, ou quando os exames começam a apresentar alterações significativas, que as pessoas passam a mudar seus hábitos pensando na saúde em si, e não apenas na estética”, observa.

O profissional de educação física e pós-graduado em musculação e treinamento de força, Luiz Fernando Lukas, ressalta que o objetivo ao praticar exercícios muda principalmente depois dos 40 anos, quando as pessoas começam a sentir o impacto da falta de preparo físico, como dores, perda de força, cansaço e sono ruim.

“Surge a vontade de manter ou melhorar a qualidade de vida, a autonomia e a disposição para envelhecer bem. Mas, mesmo assim, aquele primeiro desejo de estética não é esquecido”, analisa.
Gráfico com dados sobre a percepção de melhora da saúde do Instituto Locomotiva
Principal objetivo apontado pela pesquisa é a melhora na saúde em geral, além do aprimoramento do bem-estar. Fonte: Instituto Locomotiva

Alimentação

Outro ponto de atenção levantado pela especialista em nutrição é o acesso a alimentos in natura de qualidade. Isso porque, para populações de baixa renda, muitas vezes não é possível adquirir verduras, frutas e legumes de boa qualidade devido ao aumento dos preços — enquanto os produtos ultraprocessados, que podem ser estocados por mais tempo, têm apresentado queda de preço.

O Grupo de Estudos de Inquéritos Populacionais de Saúde (GEIPS) e o Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS), ambos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), avaliaram a tendência dos preços para 2026.

Em suma, a tendência é que, no período 2025–2026, o preço dos ultraprocessados se mantenha em queda, com média de R$ 18,40/kg em 2025 e R$ 17,90/kg em 2026, enquanto os alimentos in natura ou minimamente processados e os ingredientes culinários processados devem manter relativa estabilidade (média de R$ 19,50/kg em 2025 e R$ 19,60/kg em 2026).

A pesquisa da Locomotiva aponta que 73% dos brasileiros buscam uma boa alimentação na rotina. Porém, fatores como preço dos alimentos fazem uma diferença importante na hora de fazer o carrinho render e o dinheiro sobrar, o que impacta diretamente a qualidade da alimentação e, por consequência, um bom envelhecimento. 

Exercícios

A caminhada é a prática mais popular, com 66% de adesão, segundo a pesquisa. Dentre esses, pessoas acima de 50 anos são as que mais praticam (74%). Ela é seguida pela musculação e pela corrida como os exercícios mais recorrentes entre os entrevistados, com 55% e 37% de adesão, respectivamente.

Para um bom envelhecimento, Luiz destaca que o segredo está em construir uma base de força, mobilidade e resistência cardiovascular desde cedo. “Os treinos de força (musculação) vão ajudar a preservar e aumentar a massa muscular e a densidade óssea, que serão essenciais no envelhecimento”, explica.

Conjunto de elementos de exercício como pesos, garrafa de água e corda
A musculação é uma aliada para um envelhecimento de qualidadeFoto: Envato Elements

Para aqueles que não conseguem arcar com mensalidades de academias e centros de treinamento, ele ressalta que é possível utilizar as academias ao ar livre — presentes em praças e parques —, que são gratuitas, além de realizar exercícios em casa, como:

  • Agachamentos;
  • Flexões de braço;
  • Abdominais.

Esses exercícios podem ser feitos com pesos adaptados, como garrafas de água, elásticos, sacos de arroz, feijão, entre outros. “Caminhar, correr levemente, pedalar, pular corda, dançar, subir e descer escadas, fazer trilhas ou passear com o cachorro são exemplos de atividades gratuitas e muito valiosas”, elenca.

Preparação para envelhecer

Maria Fernanda também alerta que um dos problemas que surgem durante o processo de envelhecimento é a sarcopenia, perda involuntária de massa magra. Por isso, o consumo adequado de proteínas durante a juventude e, principalmente, na velhice é fundamental, assim como a prática regular de exercícios de musculação.

“Exercícios de alongamento, mobilidade e flexibilidade também garantem liberdade de movimento, previnem lesões, auxiliam na recuperação muscular e melhoram a postura. Fazer alongamentos diariamente é excelente”, indica Luiz.

E para aqueles que já passaram dos 60 anos, ainda há tempo para manter a saúde e garantir qualidade de vida. Luiz explica que, nesse processo, o que vai mudar é a velocidade da adaptação do corpo para a nova rotina. E, com liberação médica e alguns cuidados no início, a atividade física traz ganho de força, massa muscular, equilíbrio e disposição e pessoas de qualquer idade.

Publicado originalmente em https://viva.com.br/saude-e-bem-estar/apenas-11-dos-brasileiros-fazem-exercicios-em-preparacao-para-envelhecimento.html

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer?

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer? O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt A passagem do tempo é inevitável, o crescimento imperativo e com ele as pessoas à nossa volta começam a desaparecer. Este é o mote para uma reflexão profunda sobre acontecimentos pelos quais já passamos, ou indubitavelmente iremos passar. A perda de pessoas significativas é das experiências com maior dificuldade adaptativa. Esta experiência universal, embora natural, traz consigo dor, medo e muitas vezes um profundo sentimento de vazio. A consciência da mortalidade não é igual para todos. As atitudes perante a morte variam entre a aceitação neutral, aceitação como escape, aceitação como aproximação, o medo e o evitamento. Estando os diferentes tipos de aceitação associados a atitudes mais po...

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição Para o epidemiologista Carlos Monteiro, que criou o conceito de ultraprocessados, é preciso retomar o valor que a comida tem dentro da nossa cultura; leia a entrevista Quando você precisa colocar combustível no carro, é natural dar prioridade àquele posto de gasolina menos movimentado – afinal, ninguém ganha nada aguardando na fila. Essa é uma otimização da rotina que faz completo sentido, na visão do médico epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor emérito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Acontece que, segundo ele, temos tratado a preparação e o consumo dos alimentos do mesmo jeito que lidamos com o abastecimento de um veículo, isto é, como um completo desperdício de tempo. “Mas é o oposto. Na verdade, é um ganho de vida, de saúde”, defende o pesquisador. Entrevista com Carlos Monteiro médico epidemiologista e coordenador emérito do...