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Redação do Enem: 8 pontos para entender o envelhecimento no Brasil

 

Redação do Enem: 8 pontos para entender o envelhecimento no Brasil

A prova já passou, mas o debate fica. Entenda mais sobre as questões que o país precisa enfrentar para garantir um envelhecimento com saúde

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O tema da redação da edição 2025 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que veio a público neste domingo (9), novamente deu o que falar. Desta vez, os 4,8 milhões de inscritos ao redor do país foram instados a escrever sobre as “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.

Seguindo a tendência de colocar em debate questões contemporâneas do Brasil, a temática abria margem para que os participantes refletissem sobre a mudança na pirâmide etária nacional, os desafios para se tornar idoso no país ou até mesmo pontos relacionados ao preconceito cotidiano sofrido por pessoas mais velhas, visto na forma do etarismo.

Ao longo dos anos, VEJA Saúde também entrou nessa discussão. Confira 8 pontos relevantes para pensar o envelhecimento saudável dos brasileiros.

1. O próprio envelhecimento populacional

Diante de um aumento da expectativa de vida e de uma queda nos índices de natalidade, o perfil etário do brasileiro vem mudando cada vez mais desde a virada do século. Segundo o último Censo do IBGE, realizado em 2022, a base da pirâmide etária está cada vez mais estreita – e, se os níveis seguirem a tendência atual, nossa população deve até começar a diminuir a partir de 2041.

As novas gerações, cada vez mais, vão ter que aprender a cuidar dos próprios pais, além de adotar hábitos saudáveis por si mesmas para garantir que tenham condições de chegar lá em um contexto em que todos estaremos, na média, um pouco mais velhos.

Aqui, você pode ler as 7 questões mais urgentes que a saúde brasileira tem a discutir para lidar com essa nova realidade.

2. Mudanças climáticas

Ondas de calor estão cada vez mais frequentes. Na Europa, os últimos verões têm registrado dezenas de milhares de mortes relacionadas ao calorão extremo, na maioria dos casos em pessoas com mais de 80 anos.

Em um mundo que esquenta, corpos idosos estão particularmente vulneráveis ao novo cenário: além de uma capacidade reduzida de termorregulação em função do envelhecimento, essa parcela da população sente menos sede e, em alguns casos, pode já sofrer com déficits cognitivos ou físicos que dificultam a busca por condições mais suportáveis.

Enquanto o planeta discute formas de debelar a crise climática para as gerações futuras, é preciso também lidar com as consequências que já estão aí, investindo em estratégias para cuidar da saúde de quem envelhece em meio ao calorão.

3. Discrepâncias raciais

Em 2023, um estudo sobre a qualidade de vida de idosos demonstrou uma enorme discrepância racial ao comparar indicadores sociais e de bem-estar. Um exemplo: em São Paulo, homens brancos na faixa de 70 a 79 anos tinham um escore médio de saúde calculado em 71,8 pontos; entre os negros, esse mesmo índice despencava para 58,6.

As discrepâncias, que também ocorrem entre as mulheres e em outras regiões do país, se refletem em estatísticas como uma menor expectativa de vida para a população não-branca do Brasil: embora ela seja majoritária no geral da população, após os 60 anos a proporção de brancos cresce, segundo dados do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA).

Pensar o envelhecimento também passa por entender os desafios diferentes impostos pela cor da pele ao longo da vida e até no final dela.

4. Etarismo

Etarismo é o nome dado ao preconceito associado diretamente à idade. Manifestando-se de diferentes formas, ele pode prejudicar até mesmo a busca pelo próprio sustento, ao barrar o acesso ao mercado de trabalho por parte de idosos que ainda podem e querem (ou precisam) se manter na população economicamente ativa.

Mas ele não se limita a questões práticas e tangíveis. O isolamento de pessoas idosas, muitas vezes ligado diretamente ao preconceito, também faz mal à saúde: a solidão está entre as grandes causas para uma mortalidade precoce e piora na qualidade de vida conforme vamos ficando mais velhos. Fortalecer os vínculos sociais na terceira idade é outra tarefa para tomarmos, como indivíduos e sociedade.

5. Atenção à população LGBTQIA+

Vários dos obstáculos citados à cima, como o etarismo, a solidão, e preconceitos que vão além da idade na hora de acessar serviços de saúde, com frequência são intensificados em pessoas LGBTQIA+. Enfrentando desafios de inclusão na saúde ainda jovem, essa população tende a chegar à terceira idade com um medo ainda maior de rejeição, e uma maior propensão a conviver com problemas evitáveis em função desse cenário.

Pensar em políticas públicas que garantam o respeito e o cuidado é fundamental para mitigar os impactos da discriminação em qualquer idade, inclusive para transformar um cenário que atualmente afeta muitos indivíduos LGBTQIA+: um envelhecimento morando sozinhos, sem companheiros ou filhos, e afastados da família.

6. Os riscos de acidentes

Alguns problemas de saúde que surgem com o envelhecimento não vêm apenas de dentro. Poucas coisas aceleram a degradação da saúde na terceira idade quanto os acidentes do cotidiano. As quedas, por exemplo, chegam a ameaçar um terço dos idosos todos os anos, podendo levar a consequências graves em relação à perda de autonomia e bem-estar, aumentando as chances de uma morte precoce.

Em um país que envelhece, aprender a adaptar a casa para minimizar os riscos desse tipo de acidente é uma medida de saúde pública. Para facilitar, existe até guia orientando os cuidados a tomar em cada peça da residência.

7. Atividade física

Não tem eufemismo: com o passar da idade, nosso corpo enfraquece e fica mais propenso a ter problemas sérios diante daquilo que, na juventude, tirávamos de letra. É parte do processo natural, mas nem por isso é preciso aceitá-lo passivamente.

Diante de perigos como a sarcopenia, a osteopenia e a osteoporose, relacionadas a uma perda natural de massa muscular e óssea, manter um estilo de vida ativo é chave para garantir um envelhecimento mais saudável, com autonomia em idades que você nem imaginava. Novos programas de exercício focados no público 60+ ajudam a sair do marasmo, mesmo se você chegou nessa faixa etária ainda sedentário.

8. Acesso à saúde

Mesmo com todos os cuidados, é preciso estar preparado: a idade traz, inevitavelmente, desafios novos de saúde. E, quanto mais vivemos, maiores as chances de passar vários anos lidando com essas questões e tentando controlá-las para garantir o máximo possível de qualidade de vida.

No Brasil, onde apenas 4% da população diz se preparar adequadamente para envelhecer bem, garantir um bom acesso à saúde é essencial. Isso não passa somente por ter atendimento médico na hora da encrenca, mas orientações e acompanhamento cotidiano, para o manejo de problemas crônicos e a prevenção de agravamentos evitáveis.

Além do já citado exercício, medidas passam pela garantia de uma nutrição adequada, o controle da obesidade e até mesmo a manutenção de uma boa saúde bucal, tomando cuidados que vão além da higiene.

Há até testes simples que podem ajudar a avaliar sua saúde geral e indicar cuidados complementares ao que você já tem no radar.

Publicado originalmente em https://saude.abril.com.br/medicina/redacao-do-enem-envelhecimento/

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