Longevidade: por que envelhecer bem virou o novo símbolo de status em 2025
De dispositivos vestíveis a campanhas com pessoas 50+, o bem-estar na maturidade virou símbolo de poder, consumo e aspiração
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Não é preciso fazer pesquisa para cravar que o tema do ano no universo do wellness foi longevidade. Por mais que a conversa sobre o assunto veio em uma crescente na última década, nunca se falou tanto sobre lifespan (expectativa de vida) como em 2025. Na verdade, o termo até mudou. Agora é healthspan (expectativa de saúde). A questão, atualizada, não é apenas viver mais, mas adicionar anos saudáveis a essa conta.
Se antes o debate girava em torno de comer melhor, beber moderadamente, praticar exercícios e higiene do sono, controlar o estresse..., este ano a coisa escalou para ferramentas que medem o nosso bem-estar: dispositivos vestíveis (smartwatchs, anéis e pulseiras de última geração que monitoram até os níveis hormonais e esforço cardíaco), exames de sangue, análises do microbioma. E não parou por aí. Com as análises, vieram as opções de tratamento inovadores, que vão de células-tronco à câmaras hiperbáricas, de banhos de gelo à exossomos.
A longevidade deixou de ser um tema restrito a médicos e cientistas para se tornar uma conversa do dia a dia. “Não há nada de mistério nisso”, diz Cléa Klouri, cofundadora do Data8, hub de pesquisa, tendência e inovação sobre a Economia da Longevidade. “Quando uma população cresce e concentra poder de consumo, o mercado reage. O que estamos vendo é apenas a economia acompanhando a demografia. No Brasil, são quase 60 milhões de pessoas acima de 50 anos, responsáveis por cerca de um quarto de todo o consumo nacional.”
É aqui que a longevidade começa a ganhar novos contornos. Ter acesso aos recursos para envelhecer com mais saúde, (o tal do healthspan) se tornou objeto de desejo, símbolo de status, marcador de luxo. E, como todo desejo, abriu espaço para que diferentes mercados surfassem nessa onda. “Marcas sofisticadas, de tecnologia e de bem-estar, colocam pessoas de 60, 70, 80 anos nas campanhas porque entenderam que esse público passou a ditar tendência, influenciar outras gerações e, principalmente, porque movimentam volumes financeiros enormes”, explica a pesquisadora.
O reflexo disso está no tamanho desse negócio: de acordo com o Global Wellness Institute, a economia mundial do bem-estar deve movimentar US$ 8,5 trilhões até 2027; enquanto um recente relatório do banco UBS projeta que o mercado global da longevidade deve alcançar US$ 7,8 trilhões até 2030. Um crescimento impulsionado por tecnologias vestíveis, suplementação avançada, protocolos celulares, terapias regenerativas e uma avalanche de startups que prometem dias muito melhores para o tempo extra.
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And just like that, a estética da juventude como símbolo de status vai perdendo protagonismo e passando o bastão para a maturidade cool, para a longevidade de luxo — aquela que vem com mais tempo. Mas não um tempo qualquer, e sim aquele saudável, produtivo, com muita energia. Na moda, a Burberry coloca pessoas maduras em sua campanha celebrando a elegância da idade. Na tecnologia, a Oura convida pessoas 50+ a “mostrarem o dedo”, retratando uma maturidade "descolada" e transformando o envelhecimento em aspiração.
Sim, as marcas descobriram o valor simbólico da idade. Os personagens aparecem como embaixadores de herança, memória e, sobretudo, permanência. Esse movimento também acontece no Brasil, embora com camadas mais discretas. “Existe, sim, um protagonismo prateado, especialmente em influência digital, finanças, saúde e beleza. Mas a profundidade ainda é pequena”, avalia a pesquisadora.
É aqui que surge uma certa tensão no maravilhoso mundo da vida longa saudável. Quanto mais a longevidade avança como mercado e cultura, mais ela corre o risco de se tornar um privilégio.“‘Envelhecer bem’ virou um marcador social. Quem tem acesso a prevenção, tempo e cuidados chega melhor aos 60, 70, 80 anos. Quem não tem, enfrenta o oposto”, diz Cléa. A maturidade está na moda. E envelhecer bem virou o novo luxo.
Publicado originalmente em https://vogue.globo.com/sua-idade/noticia/2025/12/longevidade-por-que-envelhecer-bem-virou-o-novo-simbolo-de-status-em-2025.ghtml
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