Pular para o conteúdo principal

Declínio cognitivo: o que é e por que acontece

 

Declínio cognitivo: o que é e por que acontece

O envelhecimento traz experiência, histórias e aprendizados, mas também mudanças graduais no corpo e no cérebro. Entre elas, o declínio cognitivo

Declínio cognitivo: o que é e por que acontece

O envelhecimento traz experiência, histórias e aprendizados, mas também mudanças graduais no corpo no cérebro. Entre elas, o declínio cognitivo se destaca por afetar memória, atenção, linguagem e raciocínio.

Nem todo esquecimento é doença, mas quando as dificuldades são persistentes e se intensificam, podem indicar algo além do envelhecimento esperado, exigindo atenção de familiares e profissionais de saúde.

O que é declínio cognitivo

O termo declínio cognitivo refere-se à redução gradual das funções mentais, especialmente da capacidade de aprender, resolver problemas, processar informações e recordar fatos recentes.

Costuma se manifestar por lapsos de memória, dificuldade de concentração e maior tempo para organizar ideias e tomar decisões simples.

Nos estágios iniciais, a pessoa mantém relativa independência, embora perceba queda no rendimento mental.

Com a progressão, tarefas mais complexas, como administrar finanças, remédios e deslocamentos, passam a exigir supervisão ou ajuda mais frequente.

Quais são os estágios do declínio cognitivo

declínio cognitivo leve tende a se tornar mais evidente após os 60 anos, variando conforme características individuais e condições de saúde.

Alterações estruturais no cérebro, como redução de massa cerebral e de conexões entre neurônios, fazem parte do envelhecimento e contribuem para essa perda gradual.

Pesquisas costumam organizar a trajetória cognitiva em três grandes estágios, que ajudam a entender a evolução do quadro e a planejar intervenções mais precoces e adequadas:

  • Declínio cognitivo subjetivo: queixas de memória ou atenção, com testes ainda dentro da normalidade.
  • Comprometimento cognitivo leve: alterações mensuráveis, mas com manutenção parcial da independência.
  • Demência: perda cognitiva intensa, com grande impacto em autonomia, comportamento e julgamento.

Quais fatores aceleram o declínio cognitivo

A idade avançada é o principal fator associado ao declínio cognitivo, mas o estilo de vida e doenças crônicas podem antecipar ou acelerar o processo.

Ao longo de décadas, esses elementos se somam e aumentam o risco de perda mental mais precoce.

Entre os fatores envolvidos estão alimentação pobre em nutrientes, doenças cardiovasculares, diabetes mal controlado, obesidade, sedentarismo, uso de cigarro e álcool em excesso, além de quadros depressivos e predisposição genética.

Declínio cognitivo: o que é e por que acontece?
Declínio cognitivo: o que é e por que acontece? Créditos: depositphotos.com / izzuanroslan

Como retardar o declínio cognitivo na prática

Um conjunto de hábitos saudáveis pode ajudar a retardar o declínio cognitivo e reduzir o risco de evolução para quadros mais graves.

Não há solução única, mas um pacote de ações que atuam de forma complementar no cérebro e no restante do organismo.

Dentre essas medidas, destacam-se alimentação equilibrada rica em frutas, vegetais, grãos integrais, peixes e oleaginosas, ingestão adequada de água, prática regular de atividade física e estímulos mentais, como leitura, jogos de estratégia e estudos, além de manter convívio social ativo e acompanhamento médico periódico.

Como apoiar alguém com declínio cognitivo

Quando o declínio cognitivo se torna perceptível em familiares, é importante incentivar avaliação com geriatras, neurologistas ou psiquiatras, que podem investigar causas e orientar o manejo.

O diagnóstico precoce facilita intervenções e organização da rotina de cuidados.

No dia a dia, ajudam bastante medidas como manter horários e ambientes organizados, usar lembretes visuais, falar com calma em frases simples, estimular atividades prazerosas compatíveis com as capacidades e oferecer presença, escuta e apoio emocional, preservando sempre a dignidade e a autonomia possível da pessoa idosa.

Publicado originalmente em https://oantagonista.com.br/saude/declinio-cognitivo-o-que-e-e-por-que-acontece/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer?

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer? O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt A passagem do tempo é inevitável, o crescimento imperativo e com ele as pessoas à nossa volta começam a desaparecer. Este é o mote para uma reflexão profunda sobre acontecimentos pelos quais já passamos, ou indubitavelmente iremos passar. A perda de pessoas significativas é das experiências com maior dificuldade adaptativa. Esta experiência universal, embora natural, traz consigo dor, medo e muitas vezes um profundo sentimento de vazio. A consciência da mortalidade não é igual para todos. As atitudes perante a morte variam entre a aceitação neutral, aceitação como escape, aceitação como aproximação, o medo e o evitamento. Estando os diferentes tipos de aceitação associados a atitudes mais po...

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição Para o epidemiologista Carlos Monteiro, que criou o conceito de ultraprocessados, é preciso retomar o valor que a comida tem dentro da nossa cultura; leia a entrevista Quando você precisa colocar combustível no carro, é natural dar prioridade àquele posto de gasolina menos movimentado – afinal, ninguém ganha nada aguardando na fila. Essa é uma otimização da rotina que faz completo sentido, na visão do médico epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor emérito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Acontece que, segundo ele, temos tratado a preparação e o consumo dos alimentos do mesmo jeito que lidamos com o abastecimento de um veículo, isto é, como um completo desperdício de tempo. “Mas é o oposto. Na verdade, é um ganho de vida, de saúde”, defende o pesquisador. Entrevista com Carlos Monteiro médico epidemiologista e coordenador emérito do...