Inteligência artificial e longevidade: como a tecnologia pode transformar a velhice
Robôs, assistentes e sensores ajudam idosos a viver com mais autonomia, segurança e qualidade de vida

Robôs podem auxiliar idosos a organizar rotina, lembrar remédios e manter a mente ativa (Adobe Stock)
Visualize um senhor de 80 anos, viúvo, vivendo sozinho em seu apartamento. Todas as manhãs, ele recebe um lembrete gentil sobre os remédios. No almoço, escuta uma música que traz boas lembranças da juventude. À tarde, tem alguém para conversar, ainda que essa “pessoa” viva dentro de uma tela ou tenha formato de robô. Pois saiba que isso já é realidade em muitos lugares do mundo.
A tecnologia, mais especificamente a inteligência artificial, está se tornando uma grande aliada da longevidade. E isso não significa criar robôs com superpoderes, mas desenvolver sistemas e assistentes que possam facilitar a vida de quem está envelhecendo. Pense nesses sistemas como uma terceira mão. Não substituem a família nem o afeto humano, mas ajudam com tarefas simples que fazem toda a diferença no dia a dia.
Na prática, esses assistentes inteligentes já estão sendo usados para lembrar horários de remédios, organizar a rotina, monitorar sinais vitais e até iniciar conversas para amenizar a solidão. Eles funcionam por meio de sensores, aplicativos, câmeras, robôs domésticos ou assistentes de voz. E não é só isso. Também podem ajudar com consultas médicas on-line, detectar riscos de quedas e até promover exercícios mentais e jogos de memória, o que é ótimo para manter o cérebro ativo.
No Brasil, o cenário é diferente, mas começa a mostrar sinais promissores. Por aqui, ainda estamos nos estágios iniciais, mas há projetos voltados à inclusão digital de idosos, além de assistentes que ajudam em videochamadas, acesso a aplicativos e monitoramento de saúde. A inteligência artificial vem sendo cada vez mais vista como uma ferramenta capaz de oferecer apoio real para pessoas com mobilidade reduzida ou que vivem sozinhas.
Claro que os desafios são grandes e ainda enfrentamos barreiras como o acesso à tecnologia, custos elevados de equipamentos e a própria resistência de algumas pessoas em lidar com o digital. Mas a boa notícia é que a conscientização sobre o papel da IA no envelhecimento saudável está crescendo.
E por que agora esse tema se torna tão urgente? Simples. A expectativa de vida está aumentando no mundo todo. Envelhecer com saúde e dignidade será uma das principais questões do século. E não basta viver mais, é preciso viver bem. No Brasil, um dado publicado em 2024 mostra que a parcela de pessoas com 60 anos ou mais cresceu: são cerca de 32,1 milhões de pessoas, o que corresponde a aproximadamente a 15,6% da população. Projeções demográficas citadas pelo IBGE em 2025 apontam que até 2070, a parcela da população com 60 anos ou mais poderá chegar a 37,8%.
Essa é uma conversa que o Brasil precisa encarar com seriedade e urgência. Não só para acompanhar o ritmo do mundo, mas para garantir que a nossa longevidade venha acompanhada de cuidado, respeito e qualidade de vida. Os robôs, sensores e assistentes inteligentes não são inimigos da humanização. Pelo contrário, quando usados com empatia e responsabilidade, podem ser grandes aliados para tornar a velhice mais leve e segura.
Afinal, quem você quer ao seu lado quando envelhecer? Uma rotina solitária, com risco e dependência? Ou um ambiente acolhedor, em que a tecnologia trabalha para você, permitindo mais liberdade, autonomia e bem-estar?
Publicado originalmente em https://www.atribuna.com.br/opiniao/gabriela-morais/inteligencia-artificial-e-longevidade-como-a-tecnologia-pode-transformar-a-velhice-1.495816
Comentários
Postar um comentário