O segredo da longevidade está onde os cientistas menos esperavam
Na prática, a doença periodontal costuma começar silenciosa. Placa bacteriana se acumula, a gengiva inflama e, sem tratamento, pode haver perda de osso e retração. O problema é que esse quadro pode coexistir com riscos maiores para outras doenças.
Um exemplo citado com frequência na literatura médica é a associação entre periodontite e piores desfechos em infecções respiratórias. Em um estudo com pacientes com COVID-19, a periodontite apareceu ligada a maior chance de complicações como internação em UTI e ventilação assistida.
Outra linha de pesquisa acompanha há anos as ligações entre saúde bucal, doenças cardiovasculares e diabetes. Não significa que “gengivite causa” tudo isso sozinha, mas que o cuidado preventivo pode reduzir um fator importante: inflamação contínua e exposição bacteriana.
O que a ciência investiga sobre bactérias e inflamação
Quando especialistas falam em “bactéria vilã”, costumam citar a Porphyromonas gingivalis, associada à periodontite. Estudos investigam como esse microrganismo e suas toxinas podem participar de processos inflamatórios fora da boca.
Há pesquisas que encontraram pistas dessa bactéria e de enzimas ligadas a ela em contextos neurológicos, o que alimenta hipóteses sobre uma relação com alterações cerebrais observadas na doença de Alzheimer. É um campo em andamento, com evidências sendo reunidas.
Para o público, a tradução prática é direta: controlar inflamação na gengiva e reduzir placa bacteriana é uma estratégia de saúde que vai além do hálito e do sorriso. Prevenção é mais barata, menos dolorosa e costuma ser mais eficiente do que “correr atrás do prejuízo”.
Sinais comuns de que a gengiva pede ajuda
Nem todo incômodo vira emergência, mas alguns sinais merecem atenção. Sangramento ao escovar ou passar fio dental, mau hálito persistente e sensibilidade podem indicar inflamação, cárie ou sobrecarga na mordida.
Outros sinais aparecem aos poucos: retração gengival, dentes “mais longos”, sensação de mobilidade ou dor ao mastigar. Quando isso acontece, adiar avaliação pode piorar o quadro, aumentar custos e exigir tratamentos mais complexos.
- Sangramento frequente na escovação ou no fio dental
- Mau hálito que não melhora com higiene
- Sensibilidade, dor ao mastigar ou dentes amolecendo
- Gengiva inchada, vermelha ou com retração
A consulta ideal: menos medo, mais diagnóstico
A reportagem que descreve a clínica de Tribeca mostra um ponto importante: muita gente evita o dentista por ansiedade. Ao oferecer conforto, a estratégia tenta aumentar a adesão às consultas regulares, que são justamente as mais preventivas.
Por lá, o serviço inclui exames como imagem 3D, tomografia (CBCT), avaliação de mordida e teste de saliva para observar o microbioma bucal. Na rotina brasileira, a disponibilidade varia, mas o princípio é o mesmo: diagnosticar cedo.
Exames de imagem ajudam a enxergar o que o espelho não mostra, como perda óssea e sinais de apertamento. Já testes de saliva e avaliações de gengiva podem apoiar decisões de tratamento e orientar mudanças no dia a dia.
Hábitos que protegem o sorriso e o corpo
Escovar os dentes duas vezes ao dia é básico, mas não resolve tudo. A escova limpa a superfície; entre os dentes, a placa continua. Por isso, fio dental ou escovas interdentais entram como parte essencial do pacote.
Se a gengiva é sensível, vale conversar sobre técnicas e produtos. Em alguns casos, um gel anestésico ou ajustes de abordagem tornam a limpeza mais tolerável — e isso ajuda quem abandona o cuidado por dor ou desconforto.
Um bom roteiro é simples e funciona para quase todo mundo: escovação com atenção, limpeza entre os dentes, raspagem profissional quando indicada e retorno periódico. É a combinação que reduz inflamação e evita que pequenos problemas cresçam.
No fim, a “longevidade dentária” pode soar como tendência, mas a mensagem é antiga e muito prática: boca saudável é parte da saúde geral. E quanto mais cedo você trata a gengiva, maior a chance de manter dentes, conforto e bem-estar por décadas.
Publicado originalmente em: https://www.gazetasp.com.br/gazeta-mais/dicas-da-gazeta/segredo-para-a-longevidade/1170906/

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