Pular para o conteúdo principal

O segredo da longevidade está onde os cientistas menos esperavam

  

O segredo da longevidade está onde os cientistas menos esperavam

Estudos ligam gengiva inflamada a coração, diabetes e até demência; entenda o que muda na rotina e como prevenir


Cientistas descobriram que um dos segredos da longevidade está onde menos se esperava | Fernando Frazão/Agência Brasil




Na prática, a doença periodontal costuma começar silenciosa. Placa bacteriana se acumula, a gengiva inflama e, sem tratamento, pode haver perda de osso e retração. O problema é que esse quadro pode coexistir com riscos maiores para outras doenças.

Um exemplo citado com frequência na literatura médica é a associação entre periodontite e piores desfechos em infecções respiratórias. Em um estudo com pacientes com COVID-19, a periodontite apareceu ligada a maior chance de complicações como internação em UTI e ventilação assistida.

Outra linha de pesquisa acompanha há anos as ligações entre saúde bucal, doenças cardiovasculares e diabetes. Não significa que “gengivite causa” tudo isso sozinha, mas que o cuidado preventivo pode reduzir um fator importante: inflamação contínua e exposição bacteriana.

O que a ciência investiga sobre bactérias e inflamação

Quando especialistas falam em “bactéria vilã”, costumam citar a Porphyromonas gingivalis, associada à periodontite. Estudos investigam como esse microrganismo e suas toxinas podem participar de processos inflamatórios fora da boca.

Há pesquisas que encontraram pistas dessa bactéria e de enzimas ligadas a ela em contextos neurológicos, o que alimenta hipóteses sobre uma relação com alterações cerebrais observadas na doença de Alzheimer. É um campo em andamento, com evidências sendo reunidas.

Para o público, a tradução prática é direta: controlar inflamação na gengiva e reduzir placa bacteriana é uma estratégia de saúde que vai além do hálito e do sorriso. Prevenção é mais barata, menos dolorosa e costuma ser mais eficiente do que “correr atrás do prejuízo”.

Sinais comuns de que a gengiva pede ajuda

Nem todo incômodo vira emergência, mas alguns sinais merecem atenção. Sangramento ao escovar ou passar fio dental, mau hálito persistente e sensibilidade podem indicar inflamação, cárie ou sobrecarga na mordida.

Outros sinais aparecem aos poucos: retração gengival, dentes “mais longos”, sensação de mobilidade ou dor ao mastigar. Quando isso acontece, adiar avaliação pode piorar o quadro, aumentar custos e exigir tratamentos mais complexos.

  • Sangramento frequente na escovação ou no fio dental
  • Mau hálito que não melhora com higiene
  • Sensibilidade, dor ao mastigar ou dentes amolecendo
  • Gengiva inchada, vermelha ou com retração

A consulta ideal: menos medo, mais diagnóstico

A reportagem que descreve a clínica de Tribeca mostra um ponto importante: muita gente evita o dentista por ansiedade. Ao oferecer conforto, a estratégia tenta aumentar a adesão às consultas regulares, que são justamente as mais preventivas.

Por lá, o serviço inclui exames como imagem 3D, tomografia (CBCT), avaliação de mordida e teste de saliva para observar o microbioma bucal. Na rotina brasileira, a disponibilidade varia, mas o princípio é o mesmo: diagnosticar cedo.

Exames de imagem ajudam a enxergar o que o espelho não mostra, como perda óssea e sinais de apertamento. Já testes de saliva e avaliações de gengiva podem apoiar decisões de tratamento e orientar mudanças no dia a dia.

Hábitos que protegem o sorriso e o corpo

Escovar os dentes duas vezes ao dia é básico, mas não resolve tudo. A escova limpa a superfície; entre os dentes, a placa continua. Por isso, fio dental ou escovas interdentais entram como parte essencial do pacote.

Se a gengiva é sensível, vale conversar sobre técnicas e produtos. Em alguns casos, um gel anestésico ou ajustes de abordagem tornam a limpeza mais tolerável — e isso ajuda quem abandona o cuidado por dor ou desconforto.

Um bom roteiro é simples e funciona para quase todo mundo: escovação com atenção, limpeza entre os dentes, raspagem profissional quando indicada e retorno periódico. É a combinação que reduz inflamação e evita que pequenos problemas cresçam.

No fim, a “longevidade dentária” pode soar como tendência, mas a mensagem é antiga e muito prática: boca saudável é parte da saúde geral. E quanto mais cedo você trata a gengiva, maior a chance de manter dentes, conforto e bem-estar por décadas.

Publicado originalmente em: https://www.gazetasp.com.br/gazeta-mais/dicas-da-gazeta/segredo-para-a-longevidade/1170906/


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer?

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer? O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt A passagem do tempo é inevitável, o crescimento imperativo e com ele as pessoas à nossa volta começam a desaparecer. Este é o mote para uma reflexão profunda sobre acontecimentos pelos quais já passamos, ou indubitavelmente iremos passar. A perda de pessoas significativas é das experiências com maior dificuldade adaptativa. Esta experiência universal, embora natural, traz consigo dor, medo e muitas vezes um profundo sentimento de vazio. A consciência da mortalidade não é igual para todos. As atitudes perante a morte variam entre a aceitação neutral, aceitação como escape, aceitação como aproximação, o medo e o evitamento. Estando os diferentes tipos de aceitação associados a atitudes mais po...

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição Para o epidemiologista Carlos Monteiro, que criou o conceito de ultraprocessados, é preciso retomar o valor que a comida tem dentro da nossa cultura; leia a entrevista Quando você precisa colocar combustível no carro, é natural dar prioridade àquele posto de gasolina menos movimentado – afinal, ninguém ganha nada aguardando na fila. Essa é uma otimização da rotina que faz completo sentido, na visão do médico epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor emérito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Acontece que, segundo ele, temos tratado a preparação e o consumo dos alimentos do mesmo jeito que lidamos com o abastecimento de um veículo, isto é, como um completo desperdício de tempo. “Mas é o oposto. Na verdade, é um ganho de vida, de saúde”, defende o pesquisador. Entrevista com Carlos Monteiro médico epidemiologista e coordenador emérito do...