Pular para o conteúdo principal

Idosas com mais força muscular têm menos chances de morrer; estudo

Idosas com mais força muscular têm menos chances de morrer; estudo

Fazer musculação deixou há tempos de ser uma prática recomendada apenas para fins estéticos. A ciência já reuniu argumentos suficientes pra cravar que exercitar seus músculos pode, inclusive, aumentar a sua longevidade. Um estudo publicado nesta sexta-feira (13) na revista científica JAMA Network revelou que mulheres idosas com maior força muscular apresentam risco significativamente menor de morrer.

O estudo acompanhou 5.472 mulheres com idades entre 63 e 99 anos – média de 78,7 anos – e identificou uma relação inversa consistente entre força muscular e mortalidade. O risco foi 15% menor entre aquelas que relataram qualquer atividade de fortalecimento muscular, em comparação com as que não praticavam exercício algum. Além disso, a cada aumento de 5 kg na força de preensão manual – gerada pela mão e antebraço –, a redução no risco de morte foi de 8%.

A primeira etapa da pesquisa aconteceu entre março de 2012 e abril de 2014, sendo concluída apenas em 19 de fevereiro de 2023. Ao longo desse período, a vigilância da mortalidade aconteceuanualmente por meio de questionários de atualização de saúde. De acordo com esses dados, 1.964 participantes faleceram por causas diversas no decorrer do estudo.

As voluntárias faziam parte da Women's Health Initiative (WHI), que realizou exames domiciliares em 7.875 participantes no início da investigação. Foram coletadas amostras de sangue em jejum, medidas de peso, altura e pressão arterial em repouso, além da aplicação de testes físicos. Cerca de 90% das mulheres concordaram em utilizar um acelerômetro triaxial por sete dias consecutivos. O dispositivo é capaz de medir com precisão o tempo sedentário (horas por dia) e a atividade física (minutos por dia).

Força além do exercício aeróbico

Mulheres, em média, possuem menos força muscular absoluta do que homens devido a diferenças biológicas como menor massa muscular total e composição de fibras — Foto: Freepik
Mulheres, em média, possuem menos força muscular absoluta do que homens devido a diferenças biológicas como menor massa muscular total e composição de fibras — Foto: Freepik

A recomendação dos profissionais de saúde recomenda atividades de fortalecimento muscular pelo menos dois dias por semana, com o objetivo de ampliar os benefícios à saúde. O novo estudo reforça essa orientação. Mesmo mulheres que não atingiam os níveis recomendados de atividade física aeróbica apresentaram menor mortalidade quando possuíam maior força muscular.

Os resultados permaneceram robustos após o controle de idade, etnia, escolaridade, idade da menopausa, peso corporal, tabagismo, consumo de álcool, autopercepção de saúde, uso de auxílio para caminhar, número de comorbidades e inflamação sistêmica. Também foram considerados critérios como pressão arterial sistólica e diastólica, além da velocidade de caminhada, um indicador de aptidão cardiorrespiratória.

A medida que o corpo envelhece, é natural que se tenha mais força nos membros superiores em detrimento dos inferiores — Foto: Freepik
A medida que o corpo envelhece, é natural que se tenha mais força nos membros superiores em detrimento dos inferiores — Foto: Freepik

Dois testes simples e amplamente utilizados foram empregados na avaliação. Primeiro, os pesquisadores mediram a força de preensão manual das mulheres. Para realizar a medição, a participante deveria estar sentada, com as costas apoiadas, o cotovelo flexionado a 90º e o antebraço posicionado de modo que estivesse paralelo ao chão. Foram executadas duas tentativas, com intervalo de 60 segundos entre elas.

Elas também foram instruídas a caminhar 2,5 metros em uma superfície plana dentro de casa. Esse teste da caminhada foi cronometrado e feito em até duas tentativas.

Músculo, inflamação e envelhecimento

inflamação associada ao envelhecimento pode provocar disfunção mitocondrial e comprometer o mecanismo de excitação-contração do músculo esquelético. É por isso que, em partes, a perda de força ocorre progressivamente ao longo da vida adulta, mas sua preservação é fundamental para manter independência funcional, reduzir hospitalizações e melhorar a qualidade de vida.

Ao controlar estatisticamente a inflamação sistêmica e outros marcadores de envelhecimento, os pesquisadores observaram que a força muscular manteve associação independente com menor mortalidade. Vale lembrar, no entanto, que a longevidade também é influenciada por outros fatores, sobretudo os genéticos e os fatores externos do ambiente em que se vive.

Publicado originalmente em https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/02/idosas-com-mais-forca-muscular-tem-menos-chances-de-morrer-estudo.ghtml

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer?

O Psicólogo Responde: como lidar com a passagem do tempo e a inevitabilidade de as pessoas à nossa volta começarem a desaparecer? O Psicólogo Responde é uma rubrica sobre saúde mental para ler todas as semanas. Tem comentários ou sugestões? Escreva para opsicologoresponde@cnnportugal.pt A passagem do tempo é inevitável, o crescimento imperativo e com ele as pessoas à nossa volta começam a desaparecer. Este é o mote para uma reflexão profunda sobre acontecimentos pelos quais já passamos, ou indubitavelmente iremos passar. A perda de pessoas significativas é das experiências com maior dificuldade adaptativa. Esta experiência universal, embora natural, traz consigo dor, medo e muitas vezes um profundo sentimento de vazio. A consciência da mortalidade não é igual para todos. As atitudes perante a morte variam entre a aceitação neutral, aceitação como escape, aceitação como aproximação, o medo e o evitamento. Estando os diferentes tipos de aceitação associados a atitudes mais po...

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que transformou a ciência da nutrição Para o epidemiologista Carlos Monteiro, que criou o conceito de ultraprocessados, é preciso retomar o valor que a comida tem dentro da nossa cultura; leia a entrevista Quando você precisa colocar combustível no carro, é natural dar prioridade àquele posto de gasolina menos movimentado – afinal, ninguém ganha nada aguardando na fila. Essa é uma otimização da rotina que faz completo sentido, na visão do médico epidemiologista Carlos Augusto Monteiro, professor emérito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Acontece que, segundo ele, temos tratado a preparação e o consumo dos alimentos do mesmo jeito que lidamos com o abastecimento de um veículo, isto é, como um completo desperdício de tempo. “Mas é o oposto. Na verdade, é um ganho de vida, de saúde”, defende o pesquisador. Entrevista com Carlos Monteiro médico epidemiologista e coordenador emérito do...