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Pressão alta atinge 30% dos brasileiros e pode causar infarto e AVC

Sem sintomas na maioria dos casos, hipertensão exige acompanhamento e controle contínuo

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Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

Jermino Alves Pinheiro tinha 50 anos quando descobriu, durante uma consulta de rotina, que era hipertenso. Ele relata que não apresentava sintomas na época, mas recebeu orientação para iniciar o tratamento com medicamentos.

“Todos na minha família têm esse problema, então não fiquei surpreso. Mas eu não senti nenhum desconforto ou sinal diferente”, conta. Hoje, aos 70 anos, ele faz acompanhamento no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), após ter sido submetido a uma cirurgia de ponte de safena.
Jermino Alves Pinheiro passou por uma cirurgia de ponte de safena e trata a hipertensão há 20 anos | Foto: Divulgação/IgesDF


Neste domingo (26), é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. A estimativa é de que metade dos pacientes hipertensos não tenham conhecimento do diagnóstico. Assim como Jermino, cerca de 30% da população brasileira convive com a hipertensão arterial, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

A condição faz com que o coração trabalhe mais do que o normal para bombear o sangue pelo organismo. Entre as principais consequências estão o aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC), infarto, aneurisma arterial, além de insuficiências renal e cardíaca.

O cardiologista do HBDF, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Lucas Cronemberger, explica que não há uma causa única para o desenvolvimento da hipertensão. Segundo ele, fatores como predisposição genética, obesidade, estresse, consumo excessivo de álcool, tabagismo, ingestão elevada de sal e sedentarismo contribuem para o surgimento da doença.

"Um erro comum é acreditar que a pressão arterial só está elevada quando há dor de cabeça ou mal-estar. Trata-se de um inimigo silencioso"

Lucas Cronemberger, cardiologista
“O maior risco da hipertensão é que, na maioria dos casos, ela não apresenta sintomas. Um erro comum é acreditar que a pressão arterial só está elevada quando há dor de cabeça ou mal-estar. Trata-se de um inimigo silencioso. Sem aferição regular, muitas pessoas não sabem que têm a doença”, destaca o médico.

Prevenção e cuidado

A recomendação médica é que adultos verifiquem a pressão arterial ao menos uma vez por ano. “Os problemas da hipertensão são causados por anos de negligência sem o consumo de remédios específicos, não é algo que aconteça de um dia pro outro", explica o cardiologista.

O médico reforça a importância do monitoramento contínuo. "Às vezes você está na correria do dia a dia e se esquece de pensar nisso e de ir ao médico, mas é muito importante estar atento a isso e não esperar o aparecimento de sintomas para descobrir que se tem pressão alta", completa.
A visita anual ao médico é necessária para o controle da pressão arterial | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF

Onde medir a pressão arterial no DF

Qualquer cidadão pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) próxima de casa ou do trabalho para aferir a pressão arterial, geralmente sem necessidade de agendamento. O serviço está disponível em todas as UBSs, que funcionam como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).

A orientação é aproveitar a visita para realizar o cadastro na unidade e, se necessário, iniciar o acompanhamento para hipertensão. O controle da pressão está diretamente relacionado ao estilo de vida. Entre as principais orientações estão:

Manter o peso adequado;
Reduzir o consumo de sal, priorizando temperos naturais;
Praticar atividade física regularmente;
Reservar tempo para lazer e descanso;
Abandonar o fumo;
Moderar o consumo de bebidas alcoólicas;
Reduzir a ingestão de alimentos gordurosos;
Controlar doenças como diabetes.

*Com informações do IgesDF
 
Publicado originalmente em https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/w/pressao-alta-atinge-30-dos-brasileiros-e-pode-causar-infarto-e-avc

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