Pular para o conteúdo principal

Medicina da longevidade: os cinco pilares a ter em conta para um envelhecimento saudável

Medicina da longevidade: os cinco pilares a ter em conta para um envelhecimento saudável

Medicina da longevidade: os cinco pilares a ter em conta para um envelhecimento saudável
Medicina da longevidade: os cinco pilares a ter em conta para um envelhecimento saudável

Pela primeira vez na história, a maioria das pessoas pode esperar viver até os 60 anos e mais. Vidas mais longas correspondem a uma das nossas conquistas coletivas mais notáveis. Elas refletem avanços no desenvolvimento social e económico bem como na saúde, nomeadamente no sucesso em lidar com a mortalidade infantil, com a mortalidade materna e, mais recentemente, com a mortalidade das pessoas idosas.

Em Portugal, em 2015, as pessoas com 65 ou mais anos representavam 20,5% de toda a população residente em Portugal, a esperança média de vida era de 77,4 anos para homens e 83,2 anos para as mulheres e em 2021 a esperança média de vida subiu para 78.1 anos para os homens e 83.5 para as mulheres. O índice de envelhecimento em Portugal passou de 27,5% em 1961 para 183.5% em 2022.

O que é o envelhecimento?

De acordo com a Organização mundial da Saúde (OMS) o Envelhecimento individual é um processo condicionado por fatores biológicos, sociais, económicos, culturais, ambientais e históricos, podendo ser definido como um processo progressivo de mudança biopsicossocial da pessoa durante todo o ciclo de vida. Para a Direção geral da Saúde (DGS) o envelhecimento consiste num processo de deterioração endógena e irreversível das capacidades funcionais do organismo.

É assim, um processo biológico, associado ao acúmulo de danos moleculares e celulares. Com o tempo, esse dano leva a uma perda gradual nas reservas fisiológicas com consequente aumento do risco de contrair diversas doenças. Além das perdas biológicas, muitas vezes há perdas de relações próximas e essas mudanças incluem mudanças nos papéis e posições sociais.

A qualidade de vida é, claramente, a tónica dominante do envelhecimento ativo, podendo esta ser definida como a perceção do indivíduo acerca da sua posição na vida, no contexto cultural e de valores no qual vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

A saúde é sem dúvida um dos elementos mais valorizados no bem-estar da pessoa idosa. A maioria dos problemas de saúde enfrentados por pessoas mais velhas podem ser prevenidas ou retardadas envolvendo-se em comportamentos saudáveis e controlados de maneira eficaz, principalmente se forem detetados precocemente.

Assim surge o conceito de Medicina Preventiva e da Longevidade Saudável ou Medicina do envelhecimento saudável. A Medicina do Envelhecimento Saudável é um movimento médico que surgiu nos Estados Unidos da América na década de 90, com o objetivo de mudar a forma como era abordado o avanço da idade. Até então, o envelhecimento era visto como algo com o qual não se teria nada a fazer, que deveria se resignar e tratar as doenças típicas do envelhecimento.

Segundo a medicina do envelhecimento saudável, envelhecer com saúde significa manter a sensação de bem-estar e de qualidade de vida que é fruto de uma atitude preventiva e intervencionista, isto é, é necessária uma mudança de atitude, saindo de uma posição passiva para a ativa, estabelecendo verdadeiros pilares antienvelhecimento.

Os princípios da Medicina do Envelhecimento Saudável podem ser integrados a qualquer especialidade médica e beneficiar o maior número possível de pessoas. Assim, estabeleceram-se os 5 pilares do Antienvelhecimento, fundamentais para alcançar uma vida longa e saudável:

1) Alimentação: nutrindo o corpo e a mente

A alimentação é o alicerce da longevidade saudável. Ela não apenas nos fornece energia, mas também desempenha um papel crucial na prevenção de doenças e no suporte à saúde mental. Optar por uma dieta equilibrada é essencial. Isso significa incluir uma variedade de alimentos, desde água, frutas e vegetais ricos em antioxidantes até proteínas magras que ajudam na construção muscular e gorduras saudáveis, como as encontradas no azeite de oliva e abacate, que beneficiam o coração e o cérebro. Reduzir o consumo de alimentos processados e açúcares refinados é fundamental para manter níveis de açúcar no sangue estáveis e prevenir doenças crónicas, prevenindo assim o stress oxidativo e o envelhecimento celular

2) Sono: o descanso renovador

O sono é o período em que o corpo se repara e recarrega, realizando assim o fortalecimento do sistema imunitário a secreção e libertação de várias hormonas e a consolidação da memória.  Uma boa qualidade de sono é fundamental para a saúde mental, emocional e física.  A qualidade do sono está diretamente ligada à capacidade do corpo de gerir o stress) e, assim, à qualidade de vida.

“Quem dorme mal, pensa mal”: estabelecer uma rotina de sono consistente, indo para a cama e acordando na mesma hora todos os dias, ajuda a regular o relógio biológico. Criar um ambiente propício ao descanso, com um colchão confortável e um quarto escuro e silencioso, é essencial. Além disso, evitar estimulantes como cafeína e eletrônicos antes de dormir pode melhorar significativamente a qualidade do sono.

3) Exercício: movimente-se

O terceiro pilar, o exercício físico, é um componente-chave da longevidade saudável. A atividade física regular não apenas ajuda a manter um peso saudável, mas também fortalece os músculos e ossos, melhora a circulação sanguínea e aumenta a resistência cardiovascular. Além disso, o exercício libera endorfinas, neurotransmissores que melhoram o humor e reduzem o stress. Encontrar uma atividade que seja agradável e sustentável a longo prazo é crucial, seja caminhando, nadando, correndo, praticando ioga ou mesmo musculação. O exercício físico é um tratamento cujos efeitos são estendidos ao longo da vida, e não há um único tratamento medicamentoso que possa influenciar tantos órgãos de maneira tão positiva. Realizar pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana e incluir exercícios aeróbicos e de resistência muscular e acima de tudo evite o sedentarismo.

4) Suplementação com nutracêuticos: nutrientes extra

Os níveis médios de minerais nos solos agrícolas caíram em todo o mundo. Nossa comida perdeu de 20 a 60% de seus nutrientes, em grande parte pelo uso de água de má qualidade, de fertilizantes químicos e desgaste do solo. Nessa busca por uma nutrição mais equilibrada e rica nutricionalmente, os suplementos administrados por seu médico ou nutricionista complementam a alimentação e combatem os radicais livres causados por maus hábitos alimentares, estilo de vida e poluição ambiental. Os nutracêuticos são uma adição valiosa à nossa busca por longevidade saudável. Eles fornecem nutrientes essenciais que podem estar em falta na nossa dieta.

5) Gestão emocional: o poder do equilíbrio mental

A gestão emocional desempenha um papel fundamental na nossa saúde geral. A resposta ao stress e é uma reação adaptativa que foi e é fundamental para nossa sobrevivência, sendo útil e benéfico por curtos períodos. Por outro lado, se esta resposta não for revertida, transforma se em stress crônico pode ter efeitos devastadores no corpo e na mente, contribuindo para uma série de problemas de saúde. Aprender a lidar com o stress por meio de técnicas de relaxamento, identificar e enfrentar as fontes de stress, praticar meditação e praticar a gratidão, assim como organizar o tempo e estabelecer prioridades pode melhorar significativamente a qualidade de vida. Além disso, cultivar relacionamentos saudáveis e buscar apoio quando necessário são componentes essenciais da gestão emocional.

Conclusões

As condições de saúde são determinantes no envelhecimento ativo, no entanto a promoção do envelhecimento ativo não se restringe à promoção de comportamentos saudáveis. É essencial considerar os fatores ambientais e pessoais, como os determinantes económicos, sociais e culturais, o ambiente físico, o sistema de saúde e o sexo. A família, a comunidade e a sociedade têm um forte impacto na forma como se envelhece.

Um artigo da médica Andreia Monteiro, especialista em Imuno-hemoterapia, Medicina Preventiva e Medicina Estética, na Clínica Pilares da Saúde.

Publicado originalmente em https://sapo.pt/artigo/medicina-da-longevidade-os-cinco-pilares-a-ter-em-conta-para-um-envelhecimento-saudavel-6989b9a6efe47e57b74a796c

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esqueça a ideia de que qualidade de vida está nas capitais: ranking oficial da ONU revela que dezenas de cidades do interior concentram os maiores índices de desenvolvimento humano municipal do Brasil e superam grandes centros em educação, renda e longevidade

Moradores conferem ranking da ONU que aponta cidades do interior entre as melhores em qualidade de vida no Brasil. Levantamento do PNUD, com base no Atlas do desenvolvimento humano, aponta municípios com IDHM muito alto e redefine o mapa da qualidade de vida no Brasil Os melhores indicadores de qualidade de vida do Brasil não estão concentrados apenas nas capitais. Segundo o  Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil , divulgado pelo  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) ,  dezenas de municípios do interior registram  IDHM acima da média nacional . O levantamento foi elaborado em parceria com o  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)  e a  Fundação João Pinheiro , com dados consolidados oficialmente. Software para finanças A pesquisa avaliou todos os municípios brasileiros e listou as  50 cidades com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) . Como funciona o IDH municipal O  IDHM  é uma adaptaç...

Com que dieta eu vou? Estudo revela as cinco capazes de ampliar a longevidade

Pesquisa robusta, com mais de 100 mil pessoas, identifica associação entre maior expectativa de vida e cinco planos alimentares Dieta mediterrânea: um dos cardápios avaliados em estudo (Foto: Louis Hansel/Unsplash/Divulgação)   Se a temporada da  dieta  é instaurada após o  Carnaval , um  novo estudo  pode ajudar a decidir a melhor opção a seguir para ganhar saúde e ampliar a  longevidade . Segundo uma análise de dados da população britânica, cinco planos alimentares se consagraram na  redução do risco de mortalidade precoce  e no  aumento da expectativa de vida. O  trabalho , conduzido por cientistas chineses e amparado no acompanhamento de mais de 100 mil pessoas registradas no UK Biobank (o banco de dados de saúde pública mantido pelo governo da Grã-Bretanha), evidenciou que os indivíduos com maior adesão aos cardápios bem avaliados apresentavam redução de 18 a 24% no risco de mortalidade por todas as causas no período contemplad...

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...