Pular para o conteúdo principal

Rumo ao infinito? Os três fatores que definem sua saúde no futuro

A noticia boa é que todos os três preditores são treináveis

Idosos se exercitando

Um estudo publicado em 2018 na JAMA Network Open, que acompanhou mais de 122 mil adultos por mais de oito anos em média, mostrou com dados concretos de testes de esforço que a aptidão cardiorrespiratória — nosso VO₂ máximo — é um dos maiores preditores de quanto tempo e com quanta qualidade vamos viver. Quanto mais alta a capacidade de captar e usar oxigênio durante o exercício, menor o risco de morrer por qualquer causa, e o mais impressionante: os pesquisadores não encontraram nenhum ponto em que esse benefício pare de crescer — ou seja, sem limite superior observado. Os indivíduos que estavam no grupo elite (os mais aptos para a idade e sexo) tiveram 80% menos chance de morte em comparação com os de aptidão baixa, enfrentando um risco ajustado cinco vezes menor. Esse ganho vale mesmo para quem já passou dos 70 anos ou convive com hipertensão, e o impacto protetor superou em força fatores clássicos como fumar, ter diabetes ou doença arterial coronariana.

A força muscular é outro fator decisivo. Perder força não é apenas perder desempenho físico, é perder autonomia. Ela está associada à capacidade de levantar da cadeira, subir escadas, carregar compras e evitar quedas. Um outro estudo publicado em 2018 na Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, reuniu dados de cerca de 2 milhões de adultos aparentemente saudáveis e mostrou, com clareza impressionante, que a força muscular é um dos mais potentes guardiões da longevidade ativa. Níveis mais altos de força, também reduzem significativamente o risco de morte por qualquer causa. Quem apresentava maior força muscular tinha 31% menos chance de mortalidade geral em comparação aos de força mais baixa, com o benefício ainda mais evidente entre as mulheres. Essa proteção se manteve independentemente da idade, do tempo de acompanhamento e de outros fatores. Além disso, a força preserva a massa muscular, melhora a sensibilidade à insulina e ajuda a controlar a pressão arterial, atuando diretamente na prevenção de doenças crônicas como diabetes e problemas cardiovasculares.

Quer testar sua força muscular em casa mesmo? Há dois testes simples que você pode fazer. Um, mais focado na força das pernas, que é de sentar e levantar da cadeira, conhecido como “chair rise test”, usado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Pegue uma cadeira firme, sem braços, com altura padrão (cerca de 43-45 cm). Sente-se com as costas retas, pés no chão na largura dos ombros e braços cruzados sobre o peito (sem usar as mãos para impulsionar). Levante-se completamente e sente-se de novo, repetindo o movimento o mais rápido possível. Faça 5 repetições o mais rápido que conseguir, o ideal é completar em menos de 15 segundos, acima disso já sinaliza perda de força notável, especialmente em adultos mais velhos. Ou use o resultado para resistência: conte quantas repetições consegue em 30 segundos. A média para adultos saudáveis fica entre 12 e 17.

E por fim, mas não menos importante, está o equilíbrio. A partir dos 50 anos, as quedas se tornam uma das principais causas de perda de independência e mortalidade. O equilíbrio é um marcador da integração entre sistema neuromuscular, visão e propriocepção. Teste o seu equilíbrio marcando quanto tempo você consegue ficar em uma perna só, com olhos abertos (mínimo de 30 segundos para mais de 60 anos) ou com olhos fechados (mínimo de 15 segundos).

Não gostou dos resultados? A noticia boa é que todos os três preditores são treináveis. Exercícios aeróbios melhoram o VO₂ máx., exercícios resistidos, como musculação, aumentam a força muscular e práticas que desafiam coordenação e estabilidade desenvolvem a capacidade de equilíbrio.

Publicado originalmente em https://oglobo.globo.com/saude/marcio-atalla/post/2026/02/rumo-ao-infinito-os-tres-fatores-que-definem-sua-saude-no-futuro.ghtml

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esqueça a ideia de que qualidade de vida está nas capitais: ranking oficial da ONU revela que dezenas de cidades do interior concentram os maiores índices de desenvolvimento humano municipal do Brasil e superam grandes centros em educação, renda e longevidade

Moradores conferem ranking da ONU que aponta cidades do interior entre as melhores em qualidade de vida no Brasil. Levantamento do PNUD, com base no Atlas do desenvolvimento humano, aponta municípios com IDHM muito alto e redefine o mapa da qualidade de vida no Brasil Os melhores indicadores de qualidade de vida do Brasil não estão concentrados apenas nas capitais. Segundo o  Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil , divulgado pelo  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) ,  dezenas de municípios do interior registram  IDHM acima da média nacional . O levantamento foi elaborado em parceria com o  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)  e a  Fundação João Pinheiro , com dados consolidados oficialmente. Software para finanças A pesquisa avaliou todos os municípios brasileiros e listou as  50 cidades com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) . Como funciona o IDH municipal O  IDHM  é uma adaptaç...

Com que dieta eu vou? Estudo revela as cinco capazes de ampliar a longevidade

Pesquisa robusta, com mais de 100 mil pessoas, identifica associação entre maior expectativa de vida e cinco planos alimentares Dieta mediterrânea: um dos cardápios avaliados em estudo (Foto: Louis Hansel/Unsplash/Divulgação)   Se a temporada da  dieta  é instaurada após o  Carnaval , um  novo estudo  pode ajudar a decidir a melhor opção a seguir para ganhar saúde e ampliar a  longevidade . Segundo uma análise de dados da população britânica, cinco planos alimentares se consagraram na  redução do risco de mortalidade precoce  e no  aumento da expectativa de vida. O  trabalho , conduzido por cientistas chineses e amparado no acompanhamento de mais de 100 mil pessoas registradas no UK Biobank (o banco de dados de saúde pública mantido pelo governo da Grã-Bretanha), evidenciou que os indivíduos com maior adesão aos cardápios bem avaliados apresentavam redução de 18 a 24% no risco de mortalidade por todas as causas no período contemplad...

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...