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Saúde e longevidade superam a estética como principais estímulos para o exercício

Levantamento indica que apenas 7% dos praticantes focam no peso; busca por recuperação muscular e soluções naturais cresce entre o público wellness


dia do esportista, marcado anualmente em 19 de fevereiro, registra uma mudança estrutural no comportamento do brasileiro em relação à atividade física. O que antes era motivado majoritariamente pela busca por padrões estéticos tem dado lugar a uma visão mais integrada de autocuidado, saúde mental e prevenção de doenças.

Dados da pesquisa "Adequa Brasil: reflexões da atividade física em nosso país", realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a Apsen Farmacêutica, revelam que nas classes A e B, 71% das pessoas praticam algum exercício regularmente. No entanto, o controle de peso e a estética são os motivadores de apenas 7% desse grupo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica moderada por semana para adultos, e o comportamento do brasileiro parece estar se alinhando a essa necessidade clínica de longevidade.

As novas motivações do brasileiro

O estudo aponta que o foco do praticante médio mudou para a manutenção da funcionalidade do corpo a longo prazo. Entre os principais motivos citados para a prática regular estão:

  • Saúde geral: 36%
  • Bem-estar e saúde mental: 27%
  • Preparo para o envelhecimento: 12%

caminhada consolidou-se como a modalidade mais frequente, especialmente entre mulheres e pessoas acima dos 50 anos. Por ser uma atividade de baixo impacto e fácil implementação na rotina, ela serve como porta de entrada para o combate ao sedentarismo, fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, conforme dados do Ministério da Saúde.

Recuperação muscular e metabólica

Com a regularidade dos exercícios, a atenção do público voltou-se para o "pós-treino". A recuperação não é apenas um período de descanso, mas uma fase ativa em que o organismo realiza a adaptação muscular e combate o estresse oxidativo, processo químico que pode danificar células saudáveis devido ao esforço intenso.

Nesse cenário, a busca por auxílio metabólico ganhou relevância. A pesquisa indica que 60% dos praticantes já utilizam vitaminas ou suplementos e, desse total, 63% dão preferência a ingredientes de origem natural.

Recentemente, o mercado brasileiro passou a contar com o uso da Opuntia ficus-indica (uma espécie de cacto) em formulações que utilizam tanto a planta quanto a flor. O objetivo é oferecer suporte antioxidante e auxiliar no equilíbrio metabólico após o gasto energético.

O gerente médico da Apsen, Williams Ramos, contextualiza a importância desse cuidado:

“Quando falamos de prática regular de atividade física, é fundamental olhar não apenas para o desempenho, mas para o cuidado integral com o organismo. A recuperação adequada contribui para que o exercício seja sustentável ao longo do tempo. Ingredientes de origem natural, com respaldo científico, podem ser aliados importantes dentro dessa rotina”.

Prevenção e sustentabilidade física

A tendência observada sugere que o brasileiro está tratando o exercício como um "investimento" de longo prazo. A performance, antes medida apenas por recordes ou aparência, agora é avaliada pela capacidade de manter o corpo ativo sem lesões e com energia para as tarefas diárias.

Essa visão preventiva é essencial para o sistema público de saúde. Segundo a Fiocruz, o incentivo à atividade física é uma das estratégias mais eficazes para reduzir internações por doenças crônicas não transmissíveis, que hoje representam um dos maiores custos operacionais do SUS.

Publicado originalmente em https://jc.uol.com.br/colunas/saude-e-bem-estar/2026/02/18/saude-e-longevidade-superam-a-estetica-como-principais-estimulos-para-o-exercicio.html

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