Pular para o conteúdo principal

Diabetes: STJ determina que planos devem cobrir bombas de insulina e cria critérios

Caso deverá envolver prescrição médica, inexistência de alternativa terapêutica adequada no rol da ANS e registro do equipamento na Anvisa

Um sistema de pâncreas artificial usa um monitor contínuo de glicose, uma bomba de insulina e um programa em um smartphone.
Um sistema de pâncreas artificial usa um monitor contínuo de glicose, uma bomba de insulina e um programa em um smartphone. — Foto: NIH

A 2ª seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que os planos de saúde devem cobrir os sistemas de infusão contínua de insulina (SICI), conhecidos como bombas de insulina, para o tratamento de pacientes com diabetes.

O Tribunal também definiu critérios que devem ser analisados caso a caso para a cobertura. São eles: prescrição médica; inexistência de alternativa terapêutica adequada no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e registro do equipamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As bombas de insulina são aparelhos eletrônicos que funcionam como um pâncreas artificial, administrando o hormônio, necessário especialmente para pacientes com diabetes tipo 1, ao longo do dia por meio de um cateter inserido na pele.

Com isso, facilitam o manejo do diabetes e o controle da glicemia, o nível de glicose no sangue, por evitar a necessidade de medições constantes e múltiplas injeções no dia.

O STJ julgou um caso em que uma paciente com um quadro grave de diabetes tipo 1, que passou inclusive por um transplante renal, entrou na Justiça pedindo o fornecimento do aparelho pelo plano. A bomba custa cerca de 20 mil reais, e a manutenção mensal por volta de 4 a 5 mil reais.

Na primeira instância, porém, a decisão foi contrária, o que levou a paciente a recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Na segunda instância, ela obteve um parecer favorável, obrigando o plano, a Unimed São Carlos, a fornecer o dispositivo e determinando ainda o pagamento de uma indenização por danos morais.

A operadora recorreu, e o caso chegou ao STJ. Diante da multiplicidade de processos sobre a matéria, o Tribunal decidiu analisar de forma geral a obrigatoriedade ou não de cobertura da bomba de insulina pelos planos de saúde.

A votação foi unânime e seguiu a posição do relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, favorável aos pacientes. O Tribunal considerou, entre outros fatores, a Lei 14.454/2022, que define que procedimentos que não estão no rol da ANS, caso da bomba, também devem ser cobertos pelos planos quando são prescritos pelo médico e têm comprovação de eficácia.

Além disso, o STJ entendeu que a bomba de insulina não se enquadra nas exceções previstas na Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/1998), que dispensam as operadoras de custear tratamentos domiciliares, por ser um dispositivo médico, e não um medicamento.

“Dessa forma, em linhas gerais, conclui-se pela possibilidade de fornecimento do sistema de infusão contínua de insulina (bomba de insulina), desde que comprovada sua prescrição médica e demonstrada a inexistência de outra alternativa terapêutica adequada prevista no rol da ANS. Exige-se ainda a existência de registro na Anvisa do produto pleiteado, bem como a prova do prévio requerimento à operadora de saúde, com a negativa, mora irrazoável ou omissão da operadora na autorização do tratamento”, concluiu o relator em seu voto.

Publicado originalmente em https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/03/06/diabetes-stj-determina-que-planos-devem-cobrir-bombas-de-insulina-e-cria-criterios.ghtml

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esqueça a ideia de que qualidade de vida está nas capitais: ranking oficial da ONU revela que dezenas de cidades do interior concentram os maiores índices de desenvolvimento humano municipal do Brasil e superam grandes centros em educação, renda e longevidade

Moradores conferem ranking da ONU que aponta cidades do interior entre as melhores em qualidade de vida no Brasil. Levantamento do PNUD, com base no Atlas do desenvolvimento humano, aponta municípios com IDHM muito alto e redefine o mapa da qualidade de vida no Brasil Os melhores indicadores de qualidade de vida do Brasil não estão concentrados apenas nas capitais. Segundo o  Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil , divulgado pelo  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) ,  dezenas de municípios do interior registram  IDHM acima da média nacional . O levantamento foi elaborado em parceria com o  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)  e a  Fundação João Pinheiro , com dados consolidados oficialmente. Software para finanças A pesquisa avaliou todos os municípios brasileiros e listou as  50 cidades com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) . Como funciona o IDH municipal O  IDHM  é uma adaptaç...

Com que dieta eu vou? Estudo revela as cinco capazes de ampliar a longevidade

Pesquisa robusta, com mais de 100 mil pessoas, identifica associação entre maior expectativa de vida e cinco planos alimentares Dieta mediterrânea: um dos cardápios avaliados em estudo (Foto: Louis Hansel/Unsplash/Divulgação)   Se a temporada da  dieta  é instaurada após o  Carnaval , um  novo estudo  pode ajudar a decidir a melhor opção a seguir para ganhar saúde e ampliar a  longevidade . Segundo uma análise de dados da população britânica, cinco planos alimentares se consagraram na  redução do risco de mortalidade precoce  e no  aumento da expectativa de vida. O  trabalho , conduzido por cientistas chineses e amparado no acompanhamento de mais de 100 mil pessoas registradas no UK Biobank (o banco de dados de saúde pública mantido pelo governo da Grã-Bretanha), evidenciou que os indivíduos com maior adesão aos cardápios bem avaliados apresentavam redução de 18 a 24% no risco de mortalidade por todas as causas no período contemplad...

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...