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Novo exame de sangue pode indicar quem tem chance de viver mais tempo, mostra estudo

Pesquisadores descobriram que pequenas moléculas de RNA, conhecidas como piRNAs, podem mostrar com precisão se adultos idosos têm chance de sobreviver por pelo menos mais dois anos.

Exame de sangue pode ajudar a prever a longevidade. — Foto: Banco de imagens

Desvendar os segredos por trás da longevidade é algo que ocupa a ciência e a medicina há séculos. Já se sabe, por exemplo, que uma vida longa e saudável depende diretamente dos hábitos, mas a perspectiva de quantos anos ainda se tem pela frente pode estar no sangue.

➡️Uma nova pesquisa publicada na revista científica "Aging Cell" sugere que um simples exame de sangue pode prever a probabilidade de sobrevivência de uma pessoa.

Os pesquisadores descobriram que pequenas moléculas de RNA, conhecidas como piRNAs, podem indicar com precisão se adultos idosos têm chance de sobreviver por pelo menos mais dois anos.

Virginia Byers Kraus, autora sênior do estudo e professora nos departamentos de Medicina, Patologia e Cirurgia Ortopédica da Escola de Medicina da Duke University School of Medicine, conta que foi uma surpresa para o grupo que esse sinal tenha vindo de um simples exame de sangue.

"A combinação de apenas alguns piRNAs foi o indicador mais forte de sobrevivência em dois anos em adultos mais velhos — mais forte do que idade, hábitos de vida ou qualquer outra medida de saúde que examinamos", afirma Kraus.

Análise em pacientes idosos

Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram a presença de piRNAs em amostras de sangue de adultos de 71 anos ou mais.

Eles utilizaram inteligência artificial para examinar 187 fatores clínicos e 828 trechos de RNA de mais de 1.200 amostras de sangue.

As modelagens revelaram que um grupo de seis piRNAs previu a sobrevivência em dois anos com precisão de até 86%.

Os pesquisadores explicam que os participantes que viveram mais apresentaram níveis mais baixos de piRNAs, repetindo um padrão observado em organismos simples, nos quais a redução dessas moléculas pode aumentar a longevidade.

"Quando essas moléculas estão em quantidades mais altas, isso pode sinalizar que algo no organismo está fora do rumo. Entender o porquê pode abrir novas possibilidades para terapias que promovam o envelhecimento saudável", destaca Kraus.

O estudo também comparou a presença dessas moléculas com outros indicadores de saúde mais conhecidos.

➡️O grupo analisou dois diferentes cenários e concluiu que:

  • Para prever a sobrevivência de curto prazo, os piRNAs superaram idade, colesterol, atividade física e mais de 180 outras medidas clínicas.
  • Já na previsão de sobrevivência a longo prazo, fatores de estilo de vida tornaram-se mais influentes, mas as moléculas continuaram fornecendo informações valiosas sobre a biologia do corpo humano.

Próximos passos e o segredo para a longevidade

Kraus destaca que os próximos passos do estudo incluem investigar se tratamentos, mudanças no estilo de vida ou medicamentos podem alterar os níveis de piRNAs no sangue.

Além disso, os pesquisadores também planejam comparar os níveis dessas moléculas o sangue com os níveis nos tecidos, para compreender melhor sua função.

"Estamos apenas começando a entender o quão poderosos eles são. Esta pesquisa sugere que devemos ser capazes de identificar o risco de sobrevivência de curto prazo usando um exame de sangue prático e minimamente invasivo – com o objetivo final de melhorar a saúde à medida que envelhecemos", projeta o pesquisador.

De forma geral, o que se sabe é que, por mais que o exame possa vir a ser um importante aliado na previsão de uma expectativa de vida a curto prazo, os hábitos ainda são essenciais para um envelhecimento saudável.

E nesse contexto, os especialistas mantêm algumas dicas para quem buscar viver mais e com saúde:

  • Realizar exercício físico regularmente
  • Ter uma alimentação saudável, incluindo sempre frutas, verduras, legumes e a quantidade adequada de carboidratos, calorias, proteínas e gorduras
  • Dormir bem
  • Não consumir bebidas alcoólicas, ou beber em pequenas quantidades
  • Não fumar

Publicado originalmente em https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/03/05/novo-exame-de-sangue-pode-indicar-quem-tem-chance-de-viver-mais-tempo-mostra-estudo.ghtml

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