Pular para o conteúdo principal

Índice criado pelo MIT destaca 8 aspectos essenciais para a longevidade

Pensar o cuidado na velhice é um dos destaques da lista: embora 70% dos adultos venham a precisar de suporte de longo prazo, apenas 16% se planejam para isso - Envato

São Paulo - Viver mais é uma conquista da humanidade, mas a sociedade está preparada, na prática, para sustentar uma vida mais longa? O relatório Longevity Preparedness Index ("Índice de Preparação para a Longevidade", em tradução livre) propõe uma reflexão direta sobre esse desafio ao mapear como adultos americanos estão se organizando para um futuro de maior expectativa de vida.

Lançado no fim de 2025 a partir de uma colaboração entre o pesquisador John Hancock e o MIT AgeLab, do Massachusetts Institute of Technology, o estudo aponta um cenário de alerta.

Embora a população global com mais de 60 anos deva dobrar e atingir 2,1 bilhões nas próximas décadas, uma parcela significativa desses anos tende a ser vivida com limitações de saúde. Nos Estados Unidos, cerca de 20% da vida ocorre em condições consideradas precárias.

O ponto central do índice é justamente reduzir essa lacuna, garantindo que longevidade venha acompanhada de qualidade de vida e autonomia. Para isso, o relatório organiza o preparo individual em oito domínios considerados essenciais pelos pesquisadores para um envelhecimento com mais qualidade. Veja a seguir:

8 aspectos essenciais para a longevidade, segundo o MIT

1. Planejamento de cuidados (Care): envolve antecipar necessidades de assistência física e apoio no dia a dia, incluindo quem cuidará de você na velhice, quais recursos estarão disponíveis e a formalização de decisões legais, como procurações e diretivas antecipadas de vontade.

2. Ambiente e comunidade (Community): avalia se o entorno favorece o envelhecimento, considerando acesso a serviços de saúde, comércio, mobilidade, segurança e inclusão digital. 

3. Rotina e propósito (Daily activities): diz respeito à organização do tempo para manter autonomia, propósito e estímulo contínuo, equilibrando autocuidado com atividades físicas, sociais e cognitivas.

4. Segurança financeira (Finance): aborda a capacidade de sustentar uma vida longa, com planejamento para despesas futuras, especialmente saúde e moradia, além de educação financeira e acesso a orientação especializada.

5. Saúde integral (Health): contempla hábitos e acesso a cuidados que impactam o bem-estar físico, mental e cognitivo, incluindo prevenção, acompanhamento médico e estilo de vida saudável.

6. Moradia adaptada (Home): foca na adequação da casa às mudanças da idade, priorizando segurança, acessibilidade e conforto, além do uso de tecnologias que favoreçam a independência.

7. Transições da vida (Life transitions): prepara para mudanças estruturais, como aposentadoria, perda de entes queridos ou novos papéis familiares, além da construção de legado pessoal e financeiro.

8. Conexões sociais (Social connection): mede a qualidade das relações e redes de apoio, fundamentais para evitar isolamento e sustentar a saúde emocional ao longo do tempo.

Como foi criado o índice?

Para mensurar esses aspectos, os pesquisadores analisaram dados de 1.300 adultos nos Estados Unidos. A pontuação média foi de 60 em 100, indicando que a maioria ainda está pouco preparada para uma vida mais longa, especialmente em áreas críticas como cuidados, finanças, saúde e moradia.

Apesar disso, o índice mostra que alguns grupos apresentam melhor desempenho. Mulheres e cuidadores, por exemplo, demonstram maior preparo em dimensões como comunidade e conexões sociais, sugerindo maior engajamento com aspectos relacionais da longevidade.

A análise detalhada dos domínios evidencia a crise dos cuidados como o ponto mais crítico. Embora cerca de 70% dos adultos venham a precisar de suporte de longo prazo, apenas 16% se planejam para isso.

A maioria não possui estrutura financeira, nem definições legais para esse cenário, aponta o relatório.

Já comunidade e conexões sociais se destacam positivamente. Os entrevistados reconhecem a importância de viver em ambientes estruturados e de manter vínculos ativos, considerados fatores-chave para saúde e longevidade.

Na área financeira, o estudo identifica um descompasso entre planejamento e realidade. Muitos ainda subestimam os custos associados ao envelhecimento, especialmente aqueles ligados à saúde e à adaptação da moradia.

Em saúde e habitação, o desafio está na prática. Embora haja conhecimento sobre hábitos saudáveis, poucos conseguem mantê-los de forma consistente. O mesmo ocorre com a adaptação das casas, ainda negligenciada apesar dos riscos de quedas e perda de mobilidade.

Analogias com o Brasil

Embora o índice tenha como base o contexto americano, suas conclusões dialogam com a realidade brasileira. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) mostram que o envelhecimento populacional também avança no País, com predominância feminina nas faixas etárias mais altas e aumento do número de idosos vivendo sozinhos.

Nesse contexto, o relatório sugere que o preparo para a longevidade deve começar com a conscientização dos riscos de envelhecer sem preparo, observando que entender os fatores que influenciam essa fase da vida e a própria realidade são passos iniciais para identificar vulnerabilidades e agir de forma gradual.

Publicado originalmente em https://viva.com.br/saude-e-bem-estar/indice-criado-pelo-mit-destaca-8-aspectos-essenciais-para-a-longevidade.html

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Esqueça a ideia de que qualidade de vida está nas capitais: ranking oficial da ONU revela que dezenas de cidades do interior concentram os maiores índices de desenvolvimento humano municipal do Brasil e superam grandes centros em educação, renda e longevidade

Moradores conferem ranking da ONU que aponta cidades do interior entre as melhores em qualidade de vida no Brasil. Levantamento do PNUD, com base no Atlas do desenvolvimento humano, aponta municípios com IDHM muito alto e redefine o mapa da qualidade de vida no Brasil Os melhores indicadores de qualidade de vida do Brasil não estão concentrados apenas nas capitais. Segundo o  Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil , divulgado pelo  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) ,  dezenas de municípios do interior registram  IDHM acima da média nacional . O levantamento foi elaborado em parceria com o  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)  e a  Fundação João Pinheiro , com dados consolidados oficialmente. Software para finanças A pesquisa avaliou todos os municípios brasileiros e listou as  50 cidades com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) . Como funciona o IDH municipal O  IDHM  é uma adaptaç...

Com que dieta eu vou? Estudo revela as cinco capazes de ampliar a longevidade

Pesquisa robusta, com mais de 100 mil pessoas, identifica associação entre maior expectativa de vida e cinco planos alimentares Dieta mediterrânea: um dos cardápios avaliados em estudo (Foto: Louis Hansel/Unsplash/Divulgação)   Se a temporada da  dieta  é instaurada após o  Carnaval , um  novo estudo  pode ajudar a decidir a melhor opção a seguir para ganhar saúde e ampliar a  longevidade . Segundo uma análise de dados da população britânica, cinco planos alimentares se consagraram na  redução do risco de mortalidade precoce  e no  aumento da expectativa de vida. O  trabalho , conduzido por cientistas chineses e amparado no acompanhamento de mais de 100 mil pessoas registradas no UK Biobank (o banco de dados de saúde pública mantido pelo governo da Grã-Bretanha), evidenciou que os indivíduos com maior adesão aos cardápios bem avaliados apresentavam redução de 18 a 24% no risco de mortalidade por todas as causas no período contemplad...

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idadeUm novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos

Pesquisadores descobrem proteína que pode devolver força muscular perdida pela idade Um novo mecanismo biológico pode transformar a saúde muscular dos idosos Proteína ajuda a preservar força muscular na velhice. (Foto: Perfect Wave via Canva) Fala Ciência O envelhecimento costuma trazer uma queda constante da força, afetando equilíbrio, mobilidade e autonomia. Porém, novas evidências científicas indicam que esse processo pode ser mais maleável do que se imaginava.  Um estudo publicado na revista Communications Biology, conduzido por Alessandra Cecchini, identificou que a proteína tenascin-C desempenha um papel decisivo na preservação, recuperação e funcionalidade dos músculos em idades avançadas. A tenascin-C como peça essencial da regeneração muscular A tenascin-C atua diretamente na matriz extracelular, região que fornece sustentação e organização às células musculares. Essa proteína contribui para reparar microlesões, ativar mecanismos regenerativos e manter o tecido...